Acrílico sobre tela
Arte de Parede
Satirical Moral Themes
1748
Renascimento
94.0 x 78.0 cm
Tate BritainÓleo sobre tela pintado à mão no tamanho e moldura de sua escolha, feito sob encomenda pelos nossos artistas. ( Switch to Print
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O Pintor e o Cão de William Hogarth
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Em 1748, no coração fervilhante do século XVIII, William Hogarth, um artista cuja visão era tão afiada quanto sua pena, entregou ao mundo “O Roast Beef de Velho Inglaterra” (The Roast Beef of Old England). Mais do que uma simples pintura, esta obra monumental é um retrato visceral da Inglaterra da época – um país em transformação, assombrado por fantasmas do passado e ansioso pelo futuro. A peça surge num período marcado pela crescente tensão entre a Inglaterra tradicional, associada à glória de Elizabeth I e aos valores de justiça e liberdade, e as novas influências francesas que ameaçavam a identidade nacional. Hogarth, um observador perspicaz das nuances da sociedade londrina, capturou com maestria o espírito da época, utilizando sua arte como uma ferramenta para expressar suas opiniões políticas e sociais.
A obra reflete as preocupações do “Patriot Party”, uma oposição política que idealizava a Inglaterra de Elizabeth, um tempo em que os reis protegiam seus súditos contra senhores injustos e todos viviam em harmonia. Hogarth, ao pintar esta cena, busca evocar essa visão idealizada – um contraste gritante com as dificuldades da sociedade contemporânea. A pintura não é apenas uma representação visual; é um manifesto político, um apelo à restauração de valores que, segundo os patriotas, haviam sido perdidos.
Hogarth dominava a técnica da pintura a óleo sobre tela com uma precisão impressionante. Sua habilidade em capturar detalhes minuciosos, desde as texturas dos tecidos até as expressões faciais de cada personagem, é notável. A composição complexa, com seus múltiplos personagens e elementos arquitetônicos, demonstra o domínio do artista sobre o espaço e a perspectiva. A utilização da luz e sombra contribui para criar uma atmosfera rica e dramática, intensificando o impacto emocional da obra.
O que distingue Hogarth de seus contemporâneos é sua abordagem inovadora à pintura de gênero. Ao contrário dos artistas que se concentravam em retratos ou cenas históricas, Hogarth escolheu representar a vida cotidiana da classe média londrina, com suas alegrias e tristezas, seus vícios e virtudes. Ele utilizou a pintura como um meio para criticar os costumes sociais e moralizar o comportamento humano, uma prática que se tornaria característica de sua obra.
“O Roast Beef de Old England” é repleta de símbolos e referências históricas e culturais. A figura do francês rabugento, com seu semblante abatido e sua roupa esfarrapada, representa a França da época – um país associado à decadência, à extravagância e à falta de moralidade. O contraste com os ingleses robustos, que desfrutam de uma refeição farta, simboliza a superioridade cultural e o orgulho nacional. A presença do padre oferecendo um pedaço de carne a Deus é um símbolo da religiosidade e da fé, valores que Hogarth associava à Inglaterra tradicional.
A referência ao “Roast Beef of Old England” – uma canção patriótica popular na época – reforça o tema central da obra: a nostalgia por um passado glorioso e a crítica aos costumes contemporâneos. A imagem do relógio, símbolo de autoridade e estabilidade, evoca os valores da monarquia e da ordem social.
Atualmente, “O Roast Beef de Old England” é exibida na Tate Britain, onde continua a fascinar visitantes de todo o mundo. Sua importância histórica e artística é inegável, e sua capacidade de provocar reflexão sobre temas como identidade nacional, moralidade e política permanece relevante até hoje. A obra é um testemunho da genialidade de William Hogarth e de seu talento para capturar a essência de uma época através da arte.
1697 - 1764 , Reino Unido