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Nascida em Kishiwada, Japão, em 1972, a jornada artística de Chiharu Shiota é profundamente entrelaçada com a memória, a alienação e uma exploração profunda do espaço. Ao mudar-se para Berlim em 1996, ela se estabeleceu como uma figura de liderança na arte de instalação contemporânea, criando ambientes imersivos que convidam os espectadores para um mundo de fios intrincados, caminhos ecoantes e os vestígás persistentes de narrativas pessoais. A obra de Shiota não trata meramente de estética; é uma investigação deliberada sobre a paisagem psíquica da experiência humana, utilizando a materialidade – particularmente o humilde fio – para evocar emoções complexas e questões filosóficas.
As raízes artísticas de Shiota começaram em Quioto, onde estudou na Universidade Kyoto Seika, focando inicialmente na pintura ocidental. Este treinamento fundamental proporcionou uma compreensão crucial da composição e da teoria das cores, que mais tarde informariam a construção meticulosa de suas instalações emblemáticas. No entanto, foi o seu tempo no exterior – primeiro em Canberra, Austrália, como estudante de intercâmbio em 1993, e depois em Braunschweig, Alemanha, na Hochschule für Bildende Künste, seguido por estudos sob a orientação de Rebecca Horn na Universität der Künste, em Berlim – que verdadeiramente moldou sua visão artística. Essas experiências a expuseram a diversas perspectivas culturais e abordagens experimentais, impulsionando-a além das fronteiras tradicionais e fomentando o desejo de explorar novos meios e técnicas.
As instalações de Shiota são instantaneamente reconhecíveis por sua abundância avassaladora de fios – frequentemente vermelhos, mas às vezes em uma miríade de cores – que se estendem pelos espaços das galerias, criando redes intrincadas que lembram mapas ou caminhos. Este material aparentemente simples torna-se o veículo para explorar temas profundos. A memória é central em seu trabalho; os fios representam conexões entre o passado e o presente, experiências individuais e a natureza fragmentada da recordação. O território é outro conceito fundamental, pois as teias densas sugerem fronteiras, tanto físicas quanto psicológicas, que definem nosso senso de identidade e nossa relação com o outro. A alienação surge do sentimento de estar perdido dentro dessas estruturas complexas, uma sensação que espelha a experiência de navegar em um mundo avassalador.
Seu processo envolve uma tecelagem manual minuciosa, muitas vezes levando meses ou até anos para concluir uma única peça. Essa abordagem deliberada, quase meditativa, ressalta o valor que ela atribui ao artesanato e à criação lenta e ponderada de significado. A escala monumental de suas instalações – por vezes ocupando salas inteiras – amplifica ainda mais esse senso de imersão e convida os espectadores a participarem ativamente da decifração da narrativa da obra.
A carreira de Chiharu Shiota tem sido marcada tanto pelo aclame crítico quanto por um significativo reconhecimento internacional. Ela representou o Japão na 56ª Bienal de Veneza, em 2015, com The Key in the Hand, uma instalação poderosa apresentando dois barcos conectados por uma imensa rede de fios vermelhos, simbolizando jornadas, relacionamentos e a busca pela conexão. Esta exposição a catapultou ao destaque global.
Além de Veneza, o trabalho de Shiota tem sido exibido extensivamente em museus e galerias ao redor do mundo, incluindo o Mori Art Museum em Tóquio, a Smithsonian Institution em Washington D.C., e inúmeros festivais e bienais internacionais. Sua exploração contínua da memória, do espaço e da conexão humana garante seu lugar como uma voz vital na arte contemporânea.
A obra de Chiharu Shiota transcende a simples categorização; ela ocupa um espaço único na intersecção entre a arte de instalação, a performance e a exploração psicológica. Seu uso do fio – um material humilde imbuído de peso simbólico – tornou-se sinônimo de sua visão artística. À medida que ela continua a criar ambientes imersivos que desafiam nossas percepções de espaço e memória, o legado de Shiota como uma artista pioneira, que tece com maestria narrativas pessoais e temas universais, sem dúvida perdurará.
1972 - , Japão