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Saleiro
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A Saliera, confeccionada em ouro laminado, foi criada por Benvenuto Cellini para Francisco I da França entre 1540 e 1543. De seu descendente Carlos IX, a obra passou ao Arquiduque Fernando II. Este saleiro revela uma profunda alegoria da Terra e do intercâmbio entre a terra e o mar; seu lado direito apresenta um homem com um tridente e um navio simbolizando as águas, enquanto o lado esquerdo exibe uma mulher representando a Terra. A base, por sua vez, retrata os ventos, as horas do dia e as atividades humanas.
A técnica global de Cellini ao projetar o saleiro para o Rei Francisco I derivou de métodos que ele aprendeu com Caradosso (Cristoforo Foppa). Ele observou que Caradosso costumava “fazer um pequeno modelo em cera do tamanho que desejava que sua obra tivesse”. Ansioso por criar uma peça de arte mais grandiosa e distinta da de Caradosso, Cellini utilizou a ideia de confeccionar um modelo de cera. O produto final baseou-se em um modelo que Cellini havia criado originalmente para Ippolito d’Este.
Cellini nos conta que, quando o Cardeal Ippolito d’Este — um ávido colecionador de arte, hoje lembrado principalmente pelo saque da Villa do Imperador Adriano — o procurou para o trabalho, a encomenda incluía o tema para o seu design, mas Cellini deixa claro que todo o crédito pertence, na verdade, apenas a ele. “O Cardeal, que era um ouvinte muito gentil, mostrou extrema satisfação com os desenhos que estes dois hábeis homens de letras haviam descrito em palavras”, escreve ele. “Então, virei-me para os dois estudiosos e disse: *Vocês falaram, eu farei*.”
Notavelmente, ele não nomeia as figuras principais — elas só seriam identificadas mais tarde como Netuno e Tellus. Como explica Charles Hope em seu livro Patronage in the Renaissance, Cellini estava interessado primordialmente na composição, e o tema apropriado surgiu posteriormente.
A Saliera de Cellini é uma obra-prima da escultura maneirista — um estilo caracterizado pelo virtuosismo dramático e pela complexidade estilística. O escultor demonstrou os significados multifacetados dos pequenos objetos da época. Famosamente roubada em 2003, a peça foi recuperada em 2006 e o ladrão foi preso.
A Saliera permanece como um testemunho do gênio de Cellini — uma conquista singular que continua a inspirar temor e admiração. Seu design intrincado e execução magistral exemplificam o ápice da ourivesaria renascentista.
Em "Saleiro", um clima Elegante acompanha uma emoção Romântico.
"Saleiro" é uma obra de Decoração.
A obra "Saleiro" é de autoria de Benvenuto Cellini e data de 1540.
Benvenuto Cellini, um nome que ressoa com a exuberância e o espírito indomável do Renascimento italiano, foi muito mais do que um simples artista. Ele personificou a figura do homem universal, dominando a ourivesaria, a escultura, a música, a escrita e até mesmo as artes da guerra. Sua vida, narrada em uma autobiografia vibrante e reveladora, é uma crônica fascinante de ambição, talento, perigo e triunfo, oferecendo um vislumbre único do mundo artístico e social da Itália nos séculos XVI.
Nascido em Florença em 1500, filho de um músico e fabricante de instrumentos, Cellini inicialmente demonstrou aptidão para a música. No entanto, aos quinze anos, sua paixão pela arte o levou a convencer seu pai a permitir que aprendesse a arte da ourivesaria com Marcone. Essa decisão marcaria o início de uma jornada artística extraordinária, embora não isenta de desafios. Aos dezesseis anos, envolvido em um confronto, foi banido de Florença e passou um período trabalhando em Siena sob a tutela do ourives Fracastoro. Essas experiências iniciais moldaram seu caráter e aprimoraram suas habilidades técnicas, lançando as bases para o sucesso futuro.
A genialidade de Cellini se manifesta em uma série de obras-primas que exemplificam o estilo Mannerista, caracterizado pela dramaticidade, a elegância e a complexidade. O *Altar da Catedral de Florença*, embora inacabado, demonstra sua ambição monumental. No entanto, é o *Cálice de Sal para Francisco I* que se destaca como talvez sua obra mais famosa – uma peça deslumbrante em prata e esmalte, repleta de figuras dinâmicas e detalhes intrincados, atualmente abrigada no Kunsthistorisches Museum em Viena. A escultura *Perseu com a Cabeça de Medusa*, exibida na Loggia dei Lanzi em Florença, é outro testemunho de sua maestria técnica e composicional, capturando o momento triunfal do herói grego com uma expressividade impressionante. Além disso, suas medalhas, como a dedicada a Leda e o Cisne, revelam sua habilidade em combinar mitologia clássica com um requinte artesanal inigualável.
Além de seu talento artístico, Cellini deixou um legado literário duradouro através de sua autobiografia. Escrita em um estilo vívido e pessoal, a obra oferece uma visão privilegiada da vida de um artista renascentista, repleta de anedotas sobre patronos, rivalidades e aventuras pessoais. Embora por vezes tendenciosa e autoelogiativa, a autobiografia é uma fonte inestimável para compreender o contexto artístico, social e cultural da época. Através de suas palavras, somos transportados para um mundo de intrigas palacianas, festas extravagantes e paixões intensas, revelando a personalidade complexa e multifacetada de Benvenuto Cellini.
Benvenuto Cellini faleceu em Florença em 1571, deixando para trás um legado artístico e literário que continua a inspirar admiração e fascínio. Sua habilidade técnica, sua inovação artística e sua autobiografia cativante o consagraram como uma das figuras mais importantes do Mannerismo. Ele personifica o ideal renascentista – um homem de múltiplas habilidades, impulsionado pela ambição e ousado em expressar sua individualidade. Suas obras, celebradas por sua beleza, artesanato impecável e poder dramático, garantem seu lugar como um dos pilares da história da arte ocidental.
1500 - 1571 , Itália